"Uma fila desconjuntada, que não é fila mas sim um monte de homens lado a lado num corredor onde cabem lado a lado três homens, e a fila tem muitos metros de cumprimento, portanto devem estar ali centenas e centenas de homens, sim, estão na fila para procurar emprego e o que é estranho é que não são agressivos, mesmo quando alguém salta da barreira e passa para o meio deles, ultrapassando muitos outros homens. E isto seria de louvar pela compaixão, paciência, tranquilidade e sabedoria que os seres humanos revelam mesmo em situações difíceis, mas afinal é isto: ninguém tem esperança de chegar ao fim da fila e ter um emprego, por isso podem cortar caminho, passar uns à frente dos outros, podem fazer batota, e ninguém se incomoda; estão apáticos, neutros."
(In O crescimento dos Animais)
Assim é o pequeno (grandiosamente dramático) filme do Portugal que somos...